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A Nova Velha Mídia

Se você é um podcaster e ainda não adicionou New Media ao seu vocabulário é bom se ligar: Nova Mídia não é uma “tendência”, é uma realidade! Não acredita? então compare as mudanças no nome da principal convenção mundial de podcasters:

  • 2005: Portable Media Expo and Podcasting Conference
  • 2006: Podcast and Portable Media Expo
  • 2007: Podcast and New Media Expo
  • 2008: New Media Expo

Identificou o padrão? No começo, em 2005 (ano de estréia do iPod Video), todos apostavam em portabilidade como selling-point dos podcasts, aos poucos o mercado percebeu o que realmente importa: o conteúdo! O mercado amadureceu, ficou mais consciente e criou uma terminologia mais abrangente.

Se existe uma Nova Mídia então é lógico imaginar que existe uma Velha Mídia, esse outro termo é usado para designar o broadcast tradicional (TV aberta, TV a cabo e rádio). A Velha Mídia foi naturalmente criando redes, não exatamente canais, mas grupos deles, alguns com diferenças regionais. Essas redes da Velha Mídia estão aos poucos começando a entender a Nova Mídia, e a tentar fazer parte dela.

A seguir uma lista de casos onde a Velha e Nova nova Mídias se confundem:

Nascidos da Nova Mídia

Quando a primeira onda de podcasts começou todos os criadores eram informais e independentes. As primeiras redes começaram sem muita expressão, geralmente fomentadas pelos provedores de hosting. A medida que o mercado foi crescendo as redes começaram a se solidificar e algumas até se parecem com redes da Velha Mídia, segue uma lista de casos de sucesso:

  • Revision3: um dos casos mais bem sucedidos: eles produzem seus próprios podcasts, e eles são bastante coesos entre si, alguns compartilham os mesmos apresentadores. Seus shows mais populares são Tekzilla, Systm e Diggnation (Digg.com é um forte parceiro dessa rede).
  • Mevio: (antigo PodShow) é uma rede mais descentralizada, eles não produzem podcasts, mas os agregam e oferecem serviços como hosting e publicidade. Um de seus shows mais famosos é o GeekBrief, que era inicialmente uma produção independente.
  • On Networks: essa é uma rede um pouco mais recente, e que produz a maior parte de seu conteúdo. Seus shows são bastante populares mas nenhum se destaca muito dos outros.
  • Wizzard Media: tem a mesma natureza do Mevio: produções independentes aglomeradas pela publicidade, é umas das redes mais abertas às novas produções.
  • PodBr (PodCasting Brasil): uma das primeiras iniciativas nacionais. Combina vários podcasts, a maioria de áudio, mas o mais popular (Pod Surfar) é produzido em vídeo.

Velha Mídia Reencarnada

Várias redes de TV e rádio perceberam a vantagem de liberar seu conteúdo online, infelizmente a maioria distribui apenas material complementar em áudio, ou trailer dos programas em vídeo; a maioria das redes usa esse modelo: BBC, CNN, ESPN, Discovery, Disney, FOX, HBO, etc. Apesar da fraca participação dessas redes algumas se destacam pelo comprometimento com a Nova Mídia:

  • ABC (Austrália): Eles chegam a distribuir alguns programas inteiros em formato de podcast, e exploram muito bem o cross-media informando sempre as opções em ambas as mídias.
  • G4: Essa rede nasceu “por causa” da Internet, mas não “na” Internet. Abordando os temas de tecnologia e games era natural que atuasse em ambos os meios com o tempo.
  • PRN: Uma das maiores redes americanas de rádio, praticamente todos os seus programas estão disponíveis em forma de podcast.

Nova Mídia vai pra TV

As produções originalmente online raramente são incorporadas às redes tradicionais, mas quando isso acontece a audiência reconhece, o caso mais marcante é:

  • Mondo Mini Shows: Produtora do “Happy Tree Friends”, um desenho pseudo-infantil que mistura humor e violência, foi televisionado pela G4, SBS (Austrália) e MTV de vários países.

Mercado Nacional

Tirando o PodBr todas as redes citadas acima refletem outros mercados. No Brasil a grande maioria dos podcasts são produções independentes, incluindo os mais populares. Nem sempre é interessante de filiar à uma rede, mas é muito importante que elas existam, todo o mercado ganha com isso: elas concentram uma grande audiência e facilitam a monetização tanto dos afiliados quanto dos independentes.

As redes de TV nacionais estão criando sua presença online, mas não estão adotando o formato de podcast, a maioria está investindo em vídeos embutidos em páginas e tecnologias proprietárias. E as redes de rádios, quando muito, só conhecem o formato de streaming. Mas apesar dessa resistência inicial o mercado tende a amadurecer, quando a audiência começar a cobrar esses recursos elas vão se adequar.

Esse ano é fundamental para os podcasts nacionais, as produções estão se formando e crescendo como nunca antes, muitas vão permanecer independentes e outras não, mas independente da escolha que fizerem a Nova Mídia continua evoluindo.


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